Proteção contra surtos elétricos

A minha empresa precisa mesmo de proteção contra surtos elétricos? Afinal, os edifícios de escritórios são raramente atingidos por raios.

R: Diferentemente do que a maioria das pessoas acredita, o principal propósito da proteção contra surtos elétricos não é proteger o equipamento eletrônico contra a eventualidade de serem atingidos por raios. Embora a maioria dos protetores contra surtos protejam o equipamento de escritório desses enormes -- mas raros -- surtos elétricos, os protetores atuais contra surtos são muito mais sofisticados, e se destinam sobretudo a proteger o equipamento de escritório contra distúrbios elétricos menores e muito mais freqüentes.

As copiadoras, impressoras, os fac-símiles e outros equipamentos de escritório atuais utilizam um circuito eletrônico muito mais avançado e sensível do que as máquinas que os precederam. Este circuito pode processar grandes quantidades de dados a altas velocidades; entretanto, também pode detectar pequenos distúrbios elétricos que sejam parte da alimentação elétrica de um escritório, e interpretá-los erradamente como sinais legítimos de comunicação. Esses pequenos distúrbios elétricos são normalmente causados por um dos seguintes elementos: (1) surtos súbitos de voltagem, quando dispositivos elétricos (tais como refrigeradores e condicionadores de ar) ligam ou desligam e (2) ligeiras flutuações de voltagem na força fornecida pela companhia elétrica local.

Dos dois tipos de pequenos distúrbios elétricos o mais comum e, potencialmente, mais perigoso são as pontas. As pontas são surtos pequenos e repentinos de voltagem mais alta do que o normal. Quanto maior a ponta, maior o seu potencial de dano imediato. Contudo, mesmo as menores pontas podem causar erros de dados nas máquinas e outros problemas, e os seus efeitos cumulativos podem resultar em falha prematura do equipamento de escritório.

Os protetores contra surto têm se tornado cada vez mais sofisticados, embora permaneçam acessíveis em termos de preço, e protegerão o equipamento de escritório contra distúrbios elétricos de grandes e pequenas proporções -- inclusive contra pontas. Estes dispositivos funcionam oferecendo um "caminho de menor resistência" que canaliza o excesso de voltagem para fora do circuito do equipamento de escritório; isto ajuda a maximizar a vida útil de equipamentos valiosos de escritório, "desviando" o excesso de voltagem e assegurando que apenas a quantidade apropriada de força chegue até essas máquinas.

Os protetores contra surto mais básicos operam de forma muito semelhante aos disjuntores, e reagem a surtos extremos ou a pontas de alimentação canalizando o excesso de voltagem para um fusível (e normalmente incorporando uma luz para indicar que o fusível está "queimado"). Como esses protetores contra surto devem ser substituídos após cada exposição a um excesso de voltagem, muitos fabricantes oferecem garantias de substituição gratuita vitalícia para os mesmos. Contudo, a maioria desses protetores básicos contra surtos protegerá o equipamento de escritório somente contra surtos elétricos de grandes proporções, e muitos deles podem não proteger o equipamento de escritório contra distúrbios elétricos menores e mais freqüentes, que podem ter efeitos prejudiciais de longo prazo.

Muitos dos protetores contra surtos mais sofisticados utilizam varistores de óxido de metal (MOVs) para recanalizar o excesso de voltagem, ao mesmo tempo que incorporam os disjuntores para proteger contra excesso de tensão duradoura. Um MOV é feito de um material altamente resistente à eletricidade, até um certo nível de voltagem. Portanto, quando usado como um protetor de surto, um MOV foi projetado para não afetar de forma alguma a linha de força CA que recebe níveis "normais de voltagem". Contudo, quando a voltagem exceder um certo limite, a resistência do MOV cairá de imediato, oferecendo um caminho de menor resistência para o excesso de voltagem. Os protetores contra surtos com MOV foram projetados com tolerâncias elétricas relativamente limitadas, e normalmente protegem o equipamento de escritório contra distúrbios elétricos de grandes e pequenas proporções.

A maioria desses protetores contra surto mais sofisticados também incorpora dispositivos de filtragem contra interferência eletromagnética (EM) ou interferência de radio-freqüência (RF), que também ocorrem quando outras fontes elétricas (tais como lâmpadas fluorescentes, emissoras de rádio vizinhas, ou até os motores dos automóveis que passam) emitem energia elétrica que pode ser absorvida pelos fios elétricos de um escritório, ou diretamente pelo próprio equipamento. Se exposto a EMI (interferência eletromagnética) ou ERF (interferência de radio-freqüência) por longos períodos, o circuito eletrônico de uma copiadora, uma impressora, um fac-símile ou outro dispositivo eletrônico pode ser afetado de modo adverso.

Talvez o traço mais importante de um protetor contra surtos é a garantia do equipamento conectado oferecida pelo fabricante que constitui o suporte do desempenho do produto. A garantia do equipamento conectado especifica que se qualquer aparelho for danificado enquanto conectado a um determinado protetor contra surtos, o fabricante de tal protetor contra surtos compensará o usuário por uma importância específica relativa aos danos. Essas garantias variam entre valores de alguns milhares até vários milhões de dólares, dependendo do fabricante e da sofisticação do protetor contra surtos especificado. Como resultado, muitos usuários encaram os protetores contra surtos com garantia do equipamento conectado como "apólices de seguro"-- ou seja, sabem que o seu equipamento de escritório está totalmente protegido, mesmo se o protetor contra surtos não funcionar.